Guiné-Bissau e mudanças climáticas
Nov28

Guiné-Bissau e mudanças climáticas

Guiné-Bissau e mudanças climáticas   Quem tiver a possibilidade de percorrer às zonas de Contuboel, Sonaco, Paunca e Pirada, terá, sem dúvida, que constatar um estado avançado da seca que, cada vez mais, bate sobre a Guiné-Bissau. A situação está diretamente ligada ao processo natural da desertificação e a má atuação do próprio homem sobre a natureza. Por Bacar Baldé É que a Guiné-Bissau está situada a menos de 300 quilómetros do deserto do Sara (um dos maiores e mais quentes do mundo, que ocupa toda a parte Norte da África, de Nascente a Poente) e que avança a uma velocidade média de dois quilómetros por ano, em direção à zona Sul do continente. A Guiné-Bissau encontra-se na chamada zona-tampão, que divide as partes desértica e tropical. O país começou a registar os primeiros sinais de desertificação na década de 70, depois da seca severa que assolou a região saheliana (5.000.000 de Km²), em 1972-73. Em relação à ação humana, depois dessa seca, nos inícios dos anos 80, o Senegal decidiu unilateralmente empreender a construção de duas barragens sobre o rio transfronteiriço, o Kayanga. Trata-se de Anambé e Niandouba, localizadas na região de Tambakounda, há dezenas de quilómetros ao nordeste de Pirada. Esse ordenamento do vale de Anambé teve como objetivo diminuir a dependência da agricultura em relação aos riscos climáticos. A Guiné-Bissau, por sua vez, como país vizinho que compartilha o rio Kayanga com o Senegal, não realizou nenhum ordenamento no seu território e nem contrariou a decisão das autoridades senegalesas. Acontece que, depois dessa construção, a escassez de água não fez tardar nas regiões de Gabu e Bafatá, concretamente nos sectores de Pirada, Sonaco e Contuboel. A quantidade da água reduziu-se em toda a bacia hidrográfica do Kayanga/Gêba e como resultado toda a gente queixa-se da falta de água. As autoridades nacionais deviam reagir em tempo oportuno, tendo em conta que está em causa a sobrevivência das gerações vindouras, o que não foi o caso. Com a construção das duas barragens, Senegal fez subir o nível de água no seu território e o rio Kayanga, que nasce na Guiné-Conacry, passando pela região de Tambakounda, continuou a deslizar-se para a Guiné-Bissau, já agora, através de uma pequena abertura, ficando, praticamente sem água na época seca. A quantidade da água que chega ao território nacional ficou cada vez mais reduzida. Num breve encontro tido com os populares dessa aldeia, Djae Baldé, chefe da tabanca, confirmou que, realmente, a construção da barragem na zona da fronteira do Senegal contribuiu grandemente para a diminuição da água no rio Kayanga/Gêba e com efeito algumas espécies aquáticas estão a desaparecer. “Dantes, esse rio...

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Chimpanzés atacam crianças no Sul da Guiné-Bissau
Sep07

Chimpanzés atacam crianças no Sul da Guiné-Bissau

Chimpanzés atacam crianças no Sul da Guiné-Bissau   Os chimpanzés da zona Sul da Guiné-Bissau estão a atacar, com frequência, os habitantes da região de Tombali. Nos inícios do mês de agosto, pelo menos quatro crianças residentes no setor de Empada, região de Tombali, foram vítimas de agressões físicas por parte de um grupo de chimpanzés, tendo estes animais arrancado alguns dos dedos das mãos e dos pés de uma das crianças vítimas. Estes ataques sucessivos têm causado revolta junto da população, que decidiu contra-atacar, utilizando armas de fogo e outras. Este incidente preocupa o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), que reagiu em conferência de imprensa pedindo uma melhor compreensão dos populares, no sentido de ponderarem melhor a sua reação, porque são espécies raras que merecem toda a proteção humana e não ao contrário. A coordenadora de Espécies e Habitat do IBAP recomendou aos populares da zona sul no sentido de proibirem as crianças de ir ao mato sozinhas. Para Aissa Regalla de Barros, as crianças devem ser acompanhadas de adultos e têm de deixar de provocar os chimpanzés no seu habitat natural. Regalla de Barros pediu ainda aos populares para que procedam à limpeza de zonas que envolvem as tabancas, estradas, hortas, campos de cultivo e caminhos, de modo a facilitar a visibilidade que pode levar a que os chimpanzés se deparem a pessoas de surpresa. A Direção-Geral das Florestas e Fauna anotou que em 2016 houve, até aqui, cinco ataques de chimpanzés a crianças no setor de Empada com ferimentos graves, tendo as populações solicitado às autoridades competentes no sentido de tomar medidas necessárias a fim de pôr cobro a esses ataques. “Se matarem os chimpanzés, enfrentarão problemas perante a nossa lei que os protege, assim como pela Convenção que a Guiné-Bissau assinou enquanto membro desta organização”, disse Braima Embaló, da Direção-Geral das Florestas e Fauna. Os ataques dos chimpanzés ocorreram fora da área do Parque Natural de Canhanhés, pertencente ao IBAP e localizado no setor de Empada, em concreto na povoação de Iemberem. Os técnicos do IBAP reconhecem que os chimpanzés têm um papel importante na proteção e manutenção das matas do Sul da Guiné-Bissau, pois funcionam como agentes de dispersão de sementes essenciais para a regeneração das florestas. As causas dos ataques dos chimpanzés podem estar ligados com a exploração irracional dos frutos silvestres, o abate abusivo das árvores de madeira e o surgimento de novas povoações, factos que contribuem para a redução dos seus habitats.   Bacar Baldé BIOGRAFIA DE BACAR BALDÉ Nascido a 4 de fevereiro de 1967. Participou na realização do filme “Mortu Nega” de longa-metragem do realizador guineense,...

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